Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.
Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema
Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.
Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.
Eu quero “a benção” de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando “como nossos pais”,
E “se eu quiser falar com...” Gil sobre o Flamengo,
“O que será” que o nosso Chico tá escrevendo.
Aquelas “rosas” já “não falam” de Cartola
E do Cazuza “te pegando na escola”.
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus “20 e poucos anos”.
Se o Renato teve seu “tempo perdido”,
O Rei Roberto “outra vez” o mais querido.
A “agonia” do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.
Ter tido a “sorte” de escutar o Taiguara
E “Madalena” de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a “morena tropicana” do Alceu,
Marisa Monte me dizendo ”beija eu”
Beija eu, Beija eu Deixa que eu seja eu
Beija eu, beija eu deixa qe eu seja eu
O Zé Rodrigues em sua “casa no campo”
Levou Geraldo pra cantar no “dia branco”.
No “chão de giz” do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.
Pedir ao Beto um novo “sol de primavera”,
Ver o Toquinho retocando a “aquarela”,
Ouvir o Milton “lá no clube da esquina”
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.
Quero “sem lenço e documento” o Caetano
O Djavan mostrando a cor do “oceano”.
Vou “caminhando e cantando” com o Vandré
E a outra vida, Gonzaguinha, “o que é?”
Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais “smart”.
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.
Se você não faz letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça.
domingo, 17 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Meus irmãos
Nada melhor que um bar, depois de mais um dia de trabalho. Estou louco por uma gelada, ainda bem que já estou chegando...
_ Fala Moacir, tudo beleza?
_ Tudo tranqüilo, Jorge.
_ Desce uma gelada pra mim então, por favor e vê uma porção de amendoim também.
_ Claro, é pra já.
_ Obrigado Moacir, mas viu quem é aquele cara quase chorando, olhando para o copo, quieto?
_ Não faço a mínima idéia Jorge, só sei que chegou, sentou ali e esta tomando todas, deve ser mais uma com problemas no trabalho, isso é normal por aqui.
_ Sei, vou dar um pulo lá.
_ Beleza, se precisar de alguma coisa é só me chamar, Jorge.
_ Pode deixar, obrigado.
_ Olá, boa noite, dia difícil companheiro?
_ Um pouco, só estou pensativo...
_ Posso me sentar?
_ Quê?... Pode sim, senta ai. Prazer, meu nome é Roberval.
_ Prazer Roberval, meu nome é Jorge, estava lá, olhando você quieto ai, olhando para o copo, em que pensa tanto, posso saber?
_ Como?...
_ Em que você pensa tanto afinal? Às vezes, ajudar desabafar.
_ É que de vez em quando eu penso neles...
_ Em quem?
_ Nos espermatozóides...
_ De vez em quando você pensa em seus espermatozóides?
_ Nos meus não, nos do meu pai.
_ Você esta bêbado?...(risos)
_ No dia em que fui concebido, eu era um entre milhões de espermatozóides, mas somente eu cheguei ao ovulo de minha mãe.
_ Quê?...
_ Podia ser qualquer um, mas fui eu...
_ Amendoim?
_ Hein? Não, obrigado. Agora me diga, por que eu? A gratuidade da coisa?...
_ Só eu fecundei, virei feto, nasci, me criei, agora estou no bar tomando nesta cerveja quente, agora me diga, o que é isso?
_ Sei lá, joga essa cerveja fora e pede outra gelada ué...
_ To falando sobre o resto, o que é isso?
_ Sei lá, a gratuidade da coisa?
_ Pode ser, mas...
_ O Moacir, vê outra gelada, para nosso amigo aqui...(risos)
_ Pronto Jorge, mais alguma coisa?
_ Não Moacir, muito obrigado.
_ Um brinde!
_ Um brinde, á eles!
_ A quem? Aos seus espermatozóides?
_ Sim, mas aos meus não, aos do meu pai.
_ Do seu pai?
_ Sim, aos meus irmãos que morreram, para eu viver. Quem seriam eles? Pedros, Paulos, Joãos? Meus irmãos poderiam ter descoberto a cura do câncer.
_ O que?...
_ É sim, veja o tamanho da minha responsabilidade.
_ Você esta bêbado?...(risos)
_ Não, mas olha, pensa comigo. Imagine se ao invés de ter nascido Cristovão Colombo, tivesse nascido outro que ficasse bebendo cerveja quente e falando um monte de besteiras o dia todo...
_ Olha, a cerveja pelo menos não esta mais quente, mais beba logo...(risos)
_ Quê?...
_ Você não esta exagerando um pouco? Não se culpe tanto por não ter descoberto a cura do câncer.
_ Oquê? Não me culpo, só estou tentando dizer que todos que estamos aqui, deveriam aproveitar mais a vida.
_ Todos quem? Só estamos eu e você aqui, ate o Moacir já foi embora...(risos)
_ Moacir? Que Moacir?...
_ Esquece, você esta bêbado...(risos)
_ Do que eu falava mesmo?...
É agora...
_ Do Corinthians.
_ Como? do Corinthians?
_ É sim, não lembra?
_ Tudo bem então. Pergunto:
_ E se ao invés dos fundadores do Corinthians tivessem nascidos, nascessem pessoas que não gostam de futebol, pra quem os corintianos iriam torcer? Para o Palmeiras?...E se ao invés de Charles Muller, tivesse nascido um jogador de golfe? O Brasil seria o país do Golfe?
Não deu...(risos)
_ Calma amigo, as coisas não são assim também. E se ao invés de você, tivesse nascido um bandido?
_ Bandido? Esta chamando meus irmãos de bandidos?
_ Não são seus irmãos, são seus espermatozóides...(risos)
_ Meus não, são do meu pai. E como sabe se eles eram bandidos?
_ Não sei se são bandidos e nem se iriam descobrir a cura do câncer, mas entre milhões deles, sempre tem uma ovelha negra.
_ Você acha mesmo?
_ Sim claro, porque não?
_ Então uns dos meus irmãos, poderiam torcer pra Argentina?
_ Se ele nascesse no Brasil, acho pouco provável, mas quem sabe?...
_ Que sorte eu ter nascido então poupei o mundo de mais um argentino...(risos)
_ Tem outra coisa amigo, não pense mais nisso, é muita loucura?
_ Acha mesmo loucura? Mas mesmo assim eu penso...
_ Relaxa, desencana, um dia alguém descobre a cura do câncer.
_ Câncer? Que câncer? Eu estou com câncer?
_ Não, não. Acho que não.
_ Tem certeza?
_ Não sei, não sou medico...(risos)
_ Porque não? Devia ser. Melhor ainda, devia ter nascido um medico em vez de você.
_ Ta maluco? E você estaria conversando com quem agora?
_ Sei lá, chama o Jacir, quero mais uma.
_ Jacir? Que Jacir? é Moacir. E ele já foi embora, Agora é Romeu que esta atendendo.
_ Como? E o jacir?
_ É Moacir, ele foi embora já.
_ O Romeu?
_ Não, o Moacir.
_ Moacir morreu? Coitado, meus pêsames.
_ Obrigado.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Ator
Sou ator e caso não fosse, seria eu: _ Palco. Nele me jogo, tento, me reinvento, arrisco. Sendo eu ator, preciso de um palco pra me mostrar, um pedaço do mundo, emprestado por Deus. Nele sou quem quero ser, vivo as vidas que me dão vontade, sou eterno mesmo morrendo, assim, me aproximo do diabo em ousadia, com a petulância de brincar de enganar deus. Choro como criança, sendo idoso, traio meu próprio sexo, abuso e me disfarço. Me apaixono, me entrego e a abandono, rabisco minhas identidades, me afogo queimando meus pecados fúteis, inúteis e intensos. Nele não tenho tempo, todo tempo é tempo, somente chego atrasado se assim desejar, sou atemporal.
Ser ator é amar a vida, mais que a si próprio, é enxergar no outro uma obra prima, é saber que nada é certo ou errado, as coisas somente parecem ser. É perceber que as diferenças é que fazem com que sejamos ricos e únicos e a parte mágica disso tudo é poder brincar com elas, mesmo que seja de uma maneira seria. Fora disso, vem meu público, tão importante são que preciso deles pra existir, sem eles não faz sentido, não a motivo, nem razão ou desculpa alguma, preciso deles, são quem me defendem de mim mesmo, do meu existir podendo ate me crucificar na parede do esquecimento ou me pendurar no alto de uma catedral me batizando. Ser ator é isso e isso sou eu.
Ser ator é amar a vida, mais que a si próprio, é enxergar no outro uma obra prima, é saber que nada é certo ou errado, as coisas somente parecem ser. É perceber que as diferenças é que fazem com que sejamos ricos e únicos e a parte mágica disso tudo é poder brincar com elas, mesmo que seja de uma maneira seria. Fora disso, vem meu público, tão importante são que preciso deles pra existir, sem eles não faz sentido, não a motivo, nem razão ou desculpa alguma, preciso deles, são quem me defendem de mim mesmo, do meu existir podendo ate me crucificar na parede do esquecimento ou me pendurar no alto de uma catedral me batizando. Ser ator é isso e isso sou eu.
Lubha Samppaio
Pai
Olho, como se fosse com teus olhos,
Minhas mãos são semelhantes as tuas,
Falo palavras que pareço ter ouvido
Saídas de tua boca em outros tempos
Sou uma repetição tua, com variáveis:
Os valores são outros e os mesmos
Meu eu me lembra você
Com as diferenças todas
Atravessaste o rio, eu fiquei aquém
Mas me acenas com a mão sorrindo
Como se tua alegria, fosse o reencontro
De um dia bom...um ate logo
Saudades...
Lubha Samppaio
Minhas mãos são semelhantes as tuas,
Falo palavras que pareço ter ouvido
Saídas de tua boca em outros tempos
Sou uma repetição tua, com variáveis:
Os valores são outros e os mesmos
Meu eu me lembra você
Com as diferenças todas
Atravessaste o rio, eu fiquei aquém
Mas me acenas com a mão sorrindo
Como se tua alegria, fosse o reencontro
De um dia bom...um ate logo
Saudades...
Lubha Samppaio
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